
Fundado em 2023 por docentes de Estudos Clássicos da Universidade Federal de Ouro Preto, o Grupo de Pesquisa Ars Antica - Poética, Retórica e Recepção, certificado pelo CNPq, congrega — além de seus líderes, docentes do Departamento de Letras da UFOP — pesquisadores vinculados a outras instituições brasileiras e internacionais. Seu fim precípuo é, por meio de uma abordagem transdisciplinar, promover estudos críticos de materiais de ordem vária provenientes da Antiguidade, como a poesia, a historiografia e a filosofia, mas também prescritivos do discurso antigo de um modo geral, como o estudo da poética e da retórica; e também, inserindo-se na longa duração do paradigma antigo, estudos que foquem na memória e na recepção da cultura clássica greco-romana nas artes plásticas, na música e no cinema, bem como na HQ, no RPG, na retórica, na poética e na tradição literária e historiográfica, em tempos e espaços diversos, ressignificados por linguagens diversas, em contextos de produção e circulação diversos, como na Idade Média, na Modernidade, a exemplo das letras coloniais no Brasil, e também na contemporaneidade.
Afinal, por que Ars Antica e não Ars Antiqua?
A despeito da similaridade, antica e antiqua não são adjetivos necessariamente sinônimos, ainda que recuperem, em seu étimo, o mesmo termo: ante, preposição de acusativo, que significa “diante”, ou “em frente”, ou mesmo “perante a”; mas também, simplesmente, aquilo que vem “antes”, que vem “primeiro” ou no “princípio”. Este último parece ser o sentido próprio que se preserva em antiquus, donde deriva “antigo”. Em anticus, porém, há certa ambiguidade, já que o adjetivo tanto remete àquilo que é “anterior”, semelhante, portanto, a antiquus, mas também é o que está “diante”, em posição “dianteira”, portanto “à frente”. Em Varrão, anticum limen é a porta da frente, a dianteira, exposta à direção leste, ao nascer do sol; é assim também em Festo; depois, Isidoro de Sevilha, nas Etimologias, distingue as duas portas: a antica, ao nascente, da postica, posta ao poente, a oeste. Assim, nosso Grupo de Pesquisa, tal como um Janus bifronte, que mira o passado e o futuro ao mesmo tempo – eliminando, assim, suas temporalidades, ainda que as considere – , pensa a Ars, ou as Artes, se se quiser assim, não somente como “antigas”, pois que vieram antes, ou no “princípio”, mas também como o que jaz “adiante”, como a Aurora que lança “à frente” seus dedos róseos, iluminando o dia. Nesse sentido, com Ars Antica, pensamos numa metáfora abrangente que desse conta da variedade de temas e de pesquisas a que o Grupo se dedica, sintomática, pois, de sua visada transdisciplinar, própria dos Estudos Clássicos.

